sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

De tempos em tempos...


Há tempos em que tudo parece desmoronar. O que antes era realidade vira passado. O que antes era vivência, torna-se lembranças, saudade.

Nesses tempos, não sabemos como agir ou o que esperar do futuro. Apenas vivemos em uma incerteza infinita, sempre acometidos por uma vontade frustrada de fazer o tempo parar, ou voltar.

Andamos atônitos por corredores que amanhã não nos verão mais. Logo estaremos em outros corredores, em outros caminhos. Estaremos em busca de algo que muitas vezes nem sabemos o que é, mas que nem por isso deixaremos de buscar. E nem por isso deixaremos de encontrar.

Porque o que buscamos, é muito mais do que podemos encontrar em alguma parte do mundo. O que buscamos na verdade, é a nós mesmos. É a nossa identidade, aquilo que nos faz especiais e únicos.

E quando chega a primeira grande encruzilhada das nossas vidas, é tempo de ver grandes amigos de outrora seguirem na sua busca, é tempo de repensar todas as nossas decisões, é tempo de manter-se firme apesar dos abalos inevitáveis. É tempo, principalmente, de olharmos para nosso interior, e darmos um grande passo nessa busca primordial.

Um passo muitas vezes doído, molhado de lágrimas, repleto de despedidas, mas com certeza, um passo que nos tornará mais fortes, mais adultos, mais maduros.

E a maior despedida, sem dúvida, será o adeus a infância, a criança que ainda não nos deixou, mas que agora terá que ficar quietinha na virada da encruzilhada, esperando ansiosa pelos poucos momentos de nossa vida que olharemos para trás, e a deixaremos sorrir pelos nossos lábios.

Lívia C. B.

sábado, 27 de novembro de 2010

Entre Vencer e Perder



Cada palavra soa diferente, algumas são gostosas de dizer, chantilli, pirulito, chiclete, outras são engraçadas, bum bum , pum, gargalhada, outras ainda, levam um peso diferente, lágrima, morte. Mas o sentimento de uma palavra em especial, faz todos nós suspirarmos ao pronunciá-la: Vitória.

Quando dizemos vitória, uma série de imagens vem á nossa mente. Troféus, medalhas, chuvas de papel picado, banhos de champanhe, banhos de lama, ovo, tinta, farinha, muitos sorrisos, muita alegria.

Será que essa primeira impressão é correta? Se fosse assim, o pequenino primeiro passo de um bebê não seria uma vitória, quando na verdade é uma das maiores vitórias da vida de um ser humano. Uma nota máxima também não é comemorada com brindes de champanhe, mas não deixa de ser uma enorme realização.

Em outra perpectiva, podemos analisar o resultado de uma guerra. Todos nós sabemos que os Aliados venceram o Eixo na Segunda Guerra, mas será essa uma verdadeira vitória? Quantas vidas foram perdidas dos dois lados? Quantas famílias foram destruídas, quantos pais choraram a morte dos filhos?

Apesar de aprendermos o nome dos vencedores e perdedores, em uma guerra não existe a palavra vitória.

E se uma vitória pode ser considerada uma derrota, porque não o contrário? O nosso primeiro passo nunca aconteceria se não tivéssemos caído várias e várias vezes.

Cada queda é uma vitória, pois ela nos ensina a levantar ainda mais forte. Cada erro é uma vitória, pois ele nos ensina a acertar da próxima vez.

A maior vitória é aquela que nos engrandece, nesse sentido, uma derrota nos torna mais vencedores que uma vitória.

Se me perguntarem qual foi a minha maior vitória, direi que ainda não consegui chegar a ela. Se me perguntarem porque, direi que só me considerarei uma vencedora, quando conseguir me alegrar com uma derrota da mesma forma que me alegro com uma vitória. Até lá, muitas quedas me ensinarão.

Para Blorkutando.