quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Tic tac tic tac



O tempo do mundo é contado através dos movimentos de rotação e translação. Giros que nos presenteiam com os dias e as noites, os anos, os milênios, o passado, o presente e o futuro.

Já o tempo do ser humano é contado através dos ponteiros do relógio. E não apenas contado, mas controlado a mãos de ferro. Uma maquininha simpática que deveria ser nossa aliada se torna cada vez mais uma vilã que aprisiona e impede de viver.

O tic tac da rotina frenética em que vivemos não deixa espaço na agenda para o compromisso de aproveitar a vida. Os amigos, a família, as viagens, as coisas que gostamos de fazer, um livro que gostaríamos de ler, palavras que deveriam ser ditas, tudo fica pra depois. Um depois que nunca chega.

Então, insatisfeitos, nos perguntamos onde está a felicidade. Respondo, a felicidade está naquele tempo que ficou pra trás, no depois que não chegou, em tudo aquilo que deveria ser prioridade, mas não é.

E apesar das nossas insatisfações, o tempo passa, o relógio não para, e o que ficou pra trás não volta. Após um dia somos presenteados com outro dia, um ano termina e somos presenteados com outro, mesmo que não saibamos enxergá-los como os belos presentes que eles são.

Que em 2012 possamos fazer as pazes com o relógio, e transformá-lo de vilão a companheiro. Que as 24 horas de cada dia sejam suficientes para que nossas obrigações sejam cumpridas e que ainda assim possamos sorrir, dançar, pular e sonhar.

Falando em sonhar, que em 2012 possamos ter muito tempo para realizar sonhos, e tempo para pensar em novos sonhos. Tempo para parar, prestar atenção a nossa volta e enxergar a vida no que ela tem de mais bela, porque, como eu já disse, a realidade pode ser fascinante se educarmos os nossos olhos para enxergá-la assim.

Em fim, o tempo muitas vezes pode não ser muito amigável conosco, mas com um pouquinho de jogo de cintura e paciência ele se torna um grande amigo. Basta querer!

E feliz ano novo!

Lívia C.B.

sábado, 26 de novembro de 2011

Todos queremos o amor.



                                                      We all want someone there to hold                                                             We just want somebody                                                 We all wanna be somebody's one and only                                                     We all wanna be warm when it's cold                                                  No one wants to be left scared and lonely.                                                                            We all want love - Rihanna

É realmente estranho como quase nunca consigo escrever sobre outro assunto que não seja amor. Mais estranho ainda é o fato de que a maioria das vezes minhas histórias de amor são tristes. Cheias de lágrimas, arrependimentos, decepções e saudade.

Minha criatividade pende exatamente para o lado obscuro desse sentimento, para o lado que todos nós gostaríamos que não existisse, o lado ruim que nos impede de sonhar por muito tempo e de ser felizes por muito tempo.

Talvez eu mesma tenha sido as minhas personagens muitas vezes. Talvez as lágrimas delas tenham sido as minhas lágrimas de outrora. Talvez por isso eu não consiga imaginar um amor feliz. Justamente porque eu não sei o que é um amor feliz.

É bem provável que meu cérebro esperto tenha desenvolvido um mecanismo de defasa, fazendo com que eu ache que todo e qualquer amor não vai acabar bem, mais cedo ou mais tarde. Minha substância cinzenta quer me afastar do sofrimento, fazendo de tudo para que eu fuja desse bruxo das trevas tão perigoso.

Eu entendo a posição do meu cérebro. Mas não concordo. Porque eu era bem mais alegre quando ele me deixava acreditar na existência de um amor feliz pra mim nesse mundo.

Porque algum tempo atrás, eu era outra Lívia, uma sonhadora que poderia passar horas escrevendo cartas de amor que nunca seriam entregues. Apenas escrevia pela alegria de ver palavras bonitas no papel. As minhas palavras bonitas.

Hoje tenho que ser “forte”, dizer que não acredito em sonhos, dizer que sou feliz sem amar, e que não preciso de alguém ao meu lado para dividir comigo as minhas tristezas e alegrias. Tenho que dizer que não preciso de carinho. Tenho que escrever palavras tristes. Apenas palavras tristes.

Realmente espero que a outra Lívia ainda viva em algum lugar dentro de mim. Espero que ela volte, e volte rápido. Porque todos nós queremos alguém para abraçar, queremos ser únicos e exclusivos de alguém, queremos nos sentir quentes nos dias frios. Todos nós queremos o amor. E se eu não quero o amor, então eu não sei mais quem eu sou.

Lívia C.B.